Tomás Ramos
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Arquiteto, Lisboa, 2001
Prática focada no projeto de arquitetura como resposta ao contexto, ao uso e à experiência espacial.


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Situada na zona sul do Parque Florestal de Monsanto, a Alameda Keil do Amaral desenha um percurso pedonal, outrora viário, onde algures no seu trajeto revela uma clareira no interior de Monsanto, que, através de um vale, se debruça sobre a vasta paisagem do Tejo. Este lugar concentra algumas das principais qualidades de Monsanto: a proximidade com a natureza, a permanência no espaço e a possibilidade do encontro. No entanto, a desarticulação e fragmentação dos espaços dificultam uma leitura clara deste território.

A proposta surge como resposta a este desequilíbrio, procurando devolver coesão e clareza ao lugar. O projeto assume-se como um prolongamento da paisagem, fundindo-se com a sua envolvente através de um gesto, um muro de contenção contínuo, todo ele à mesma cota, que ordena o território, cria um limite superior na clareira e articula vários percursos, cotas e vistas.

Um amplo terreiro estabelece a articulação entre os percursos e a paisagem, assumindo-se como local de encontro. A partir dele forma-se um rasgo longitudinal no muro, onde se revelam os espaços da proposta, criando uma ligação contínua entre o interior e o exterior. O conjunto organiza-se em três espaços, cada um com a sua identidade, podendo vir a acolher atividades culturais, sociais e de lazer.

A escolha dos materiais procura enraizar o projeto ao Parque, recuperando a memória das antigas pedreiras marcadas na paisagem. Da mesma forma que as encostas revelam as camadas do subsolo, a intervenção pretende manter essa ideia de estratificação, evocando a passagem do tempo e a horizontalidade da matéria. O betão taipa surge como expressão dessa memória, revelando-se em todo o corpo do projeto. Sobre este maciço esculpido, molda-se a pedra Travertino, que reveste o solo e se dobra pelas paredes até à altura do rasgo, marcando a escala humana e contrastando com a aspereza do betão.

Reforçando a presença da clareira é proposta a plantação de vegetação autóctone densificando os seus espaços adjacentes sem obstruir a vista sobre o Tejo. No interior, um lago com plantas aquáticas tem como protagonista um cipreste-calvo, Taxodium distichum, que emerge do lago e se ergue por uma abertura em direção ao céu.


Sombra na ClareiraLer Mais

2025

Polo cultural

Parque Florestal de Monsanto, Lisboa

Tomás Ramos

Projeto selecionado para a exposição do evento FISTA 26 (2026)

Sombra na Clareira, em Saber de fazer, Catálogo da exposição dos trabalhos do Mestrado Integrado em Arquitetura 2024/2025, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, 2026, pp.266-271.

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